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(p)1999-2008 por Leo Mano. Rio de Janeiro - RJ, Brasil
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Papa João Paulo II

Quando nasceu em 18 de maio de 1920 em Wadowice, sul da Polônia, sua família era formada por seu pai Karol Wojityla, militar do exército austro-húngaro, sua mãe Emília Kaczorowsky, uma jovem siciliana de origem lituana, e um irmão adolescente de nome Edmund.

Sua mãe faleceu quando ele tinha 9 anos. Depois perdeu seu irmão e, em 1941, aos 21 anos de idade, perdeu também o pai.

Seu gosto pelo xadrez manifestou-se já em sua juventude quando também demonstrou interesse pelo teatro e pelas artes literárias polonesas. Tanto que, ainda no colégio, pensava seriamente na possibilidade de continuar os estudos de filosofia e lingüística polonesa. Mas um encontro com o Cardeal Sapieha, durante uma visita pastoral, o fez considerar seriamente a possibilidade de seguir a vocação do sacerdócio.

Durante a II Guerra Mundial, Karol Wojtyla, com um grupo de jovens, organizou uma universidade clandestina onde estudou filosofia, idiomas e literatura. Pouco antes de decidir seu ingresso ao seminário, o jovem Karol teve que trabalhar arduamente como operário em uma pedreira.

Licenciou-se em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelicum e mais adiante se doutorou em Filosofia. Durante algum tempo foi professor de ética na Universidade Católica de Dublin e na Universidade Estatal de Cracóvia.

Em 23 de Setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, Monsenhor Baziak, convertendo-se no membro mais jovem do Episcopado Polaco. Participou no Concílio Vaticano II, onde atuou intensamente.

Em 1964, o Monsenhor Wojtyla, após a morte de Baziak e a conversão da Cracóvia em Arquidiocese, tornou-se Arcebispo e, em maio de 1967, foi nomeado Cardeal pelo Papa Paulo VI.

Em 22 de outubro de 1978 foi eleito Sumo Pontífice, assumindo o nome de João Paulo II.

O primeiro Papa não italiano em 450 anos, sobreviveu a um atentado (quando levou dois tiros) e, a partir de então, passou a viver uma sucessão de problemas de saúde: retirou parte do intestino, um tumor (também no intestino), sofreu com artrite no joelho e desenvolveu o Mal de Parkinson. Lúcido e intelectualmente ativo até os últimos instantes de sua vida, faleceu em 2 de abril de 2005 após 26 anos e meio de papado.


Os trabalhos de Karol Wojityla foram compostos, provavelmente, entre 1940 e 1946. O diagrama ao lado (JP00) foi publicado na Europe Echecs em 1979. Nele temos um "mate direto em 3 lances". A solução 1.c8=C Ra3 2.Cb6 axb6 3.axb6# é repleta de simbolismo. Senão vejamos:
O bispo, imóvel durante toda a solução, permanece ao lado do Rei demonstrando que, apesar da individualidade do estado e da igreja, ambos podem (e devem) atuar "lado-a-lado" em favor do bem.

Logo no primeiro lance, o peão, símbolo incontestável das classes mais humildes da sociedade, avança para sua promoção que, por sua vez, representa a esperança de dias melhores e ascenção social. A promoção à cavalo (peça de menor força após o peão) indica que as conquistas devem ser graduais, ao contrário da riqueza fácil e instantânea (lícita ou não) proporcionada pelas sociedades de hoje e de ontem (corrupção, loterias, tiranias, ganância, etc).

Enquanto o peão promovido sacrifica a própria vida (retrato fiel da realidade) o outro realiza o lance derradeiro mas não leva a glória: é a torre quem dá mate. Sem dúvida são os peões os mais injustiçados pois são fiéis às causas do bem até as últimas consequências mas, nem por isso, seu valor é percebido por todos.

Por fim, as forças do bem vencem sem sequer levantar "um dedo" contra seu adversário: 1.c8=C nada ameaça mas as negras não tem opção (o mal não tem livre arbítrio) e jogam forçadamente 1...Ra3. Novamente, as brancas jogam 2.Cb6 oferecendo a própria carne que o mal não pode recusar. O lance 2...axb6 é forçado e fatal, pois possibilita o arremate 3.axb6#. O mal perde por si só, por seus próprios atos. É a sua natureza!

No problemismo, quando um lance chave não implica em nenhuma ameaça de mate (como no caso acima), dizemos que o problema é de "bloco". Neste caso, o mate acontece em função da obrigatoriedade das negras em jogar. Isto as fazem cometer um erro e, consequentemente, levam mate. Curiosamente, todos os problemas do Papa João Paulo II que vieram a público (nas revistas "Europe Echecs" e "The Problemist"), são problemas de bloco. Coincidência ou não, trata-se da negação total à violência.

JP01 - Mate em 2
Washington Post, 1994.

1.Da7!
Se as brancas pudessem jogar novamente, elas não conseguiriam dar mate! Contudo, as negras são obrigadas a jogar:
a) 1...c6 (ou c5) 2.bxc6#
b) 1...f5 2.Ce5#
c) 1...C~ 2.Cb6#
d) 1...Be7 2.T6xe7#

  
JP02 - Mate em 2
The Problemist, 1987.

1.Bb5!
Se as brancas pudessem jogar novamente, elas não conseguiriam dar mate! Contudo, as negras são obrigadas a jogar:
a) 1...Rxb5 2.Cb6#
b) 1...Rd6 2.Cd3#
c) 1...Rd4 2.Cc6#
Nas variantes "a" e "b" o rei negro se move na mesma linha da bateria que vai ser acionada no mate.

  
JP03 - Mate em 2
Europe Echecs, 1979.

1.Cd2!
Se as brancas pudessem jogar novamente, elas não conseguiriam dar mate! Contudo, as negras são obrigadas a jogar:
a) 1...Rd5 2.Dd7#
b) 1...Rf5 2.Df7#

  

Apesar dessas composições terem sido publicadas como sendo de autoria de Karol Wojityla, a autenticidade desses trabalhos foi colocada em dúvida. Por outro lado, este tipo de reação seria previsível a partir do momento em que a figura do Papa não pode estar associada a qualquer outra coisa que não seja a fé cristã (LM).

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